Universidade do Algarve celebra 40.º aniversário e entrega primeiro prémio Manuel Gomes Guerreiro

12/12/2019

Universidade do Algarve celebra 40.º aniversário e entrega primeiro prémio Manuel Gomes Guerreiro

Na sessão solene do 40º aniversário da Universidade do Algarve, que se realizou no dia 11 de dezembro, às 17h00, no Grande Auditório do Campus de Gambelas, o reitor Paulo Águas relembrou que a UAlg é a única Instituição de Ensino Superior criada pela Assembleia da República, Lei 11/79, publicada a 28 de março. “É uma singularidade que muito nos orgulha”, afirmou, elencando alguns dos momentos mais marcantes da Academia, desde o período de instalação, passando pelo período de grande expansão, até à última década, marcada pela internacionalização.

Perante um auditório completamente lotado, Paulo Águas centrou o seu discurso (aqui) em três elementos estruturantes: as comemorações dos 40 anos; o contrato de legislatura; terminando com um balanço de 2019 e as perspetivas para 2020, à luz dos objetivos estratégicos definidos para o mandato reitoral 2017-2021.

Sobre a internacionalização, esclareceu que esta “não pode ser entendida apenas como captação de estudantes internacionais, onde a UAlg tem vindo a registar um êxito assinável pois quase 25% dos atuais estudantes são de nacionalidade estrangeira”. Para o reitor, “a internacionalização deve alicerçar-se na criação de redes de investigação e de alianças estratégicas entre instituições, dimensões em que já temos trabalho realizado e que continuaremos a aprofundar”.

Se foi na última década que, “respondendo a um desafio dos governantes e do País, se iniciou, de forma inovadora, o ensino médico, reforçando a formação na área da Saúde, 2019 ficará ainda marcado pela passagem do Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina a Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas”. Todavia, o reitor recorda que “a última década também foi marcada, há que dizê-lo, por fortíssimos constrangimentos financeiros, que continuam presentes”.

Outro elemento estruturante selecionado para o seu discurso foi o contrato de legislatura, assinado no passado dia 29 de novembro, entre o Governo e as Instituições de Ensino Superior Públicas. “Pretende-se garantir um processo efetivo de convergência com a Europa até 2030, desígnio que, naturalmente, deve mobilizar a Universidade do Algarve.”

​​​​​​​Sobre o balanço sumário de 2019 e as perspetivas para 2020, o reitor considera que os resultados alcançados são muito animadores. “Em 2018/19, o número de inscritos voltou a aumentar ( 4,3%). Foi o 3.º ano de consecutivo de crescimento. Os indicadores disponíveis apontam para novo crescimento em 2019/20, prevendo-se que a UAlg volte a ultrapassar os 8 mil estudantes de grau (ou seja, sem mobilidade), o que não acontece desde 2011/12. O crescimento manteve-se mais forte entre os estudantes de nacionalidade estrangeira, que passaram a representar 21% do total (estão incluídos os estudantes de mobilidade). Em 2019/20 poderão ser mais de 2 mil, passando a representar, aproximadamente, 25% da comunidade estudantil.”

A questão do alojamento também mereceu especial atenção pelo reitor que aproveitou para referir que “desde 2016 as mais de 500 camas dos Serviços de Ação Social passaram a ter ocupação plena”, mencionando ainda que “a reorganização dos espaços letivos em 2018/19 permitiu libertar o edifício da Escola Superior de Saúde, o qual foi sinalizado pelo Plano Nacional de Alojamento para o Ensino Superior”. Porém, “contrariamente às nossas expetativas, em 2019 os progressos foram lentos, e são aguardados novos desenvolvimentos, que poderão possibilitar termos uma nova residência em 2021”. 

Dando cumprimento à norma transitória do emprego científico, o reitor recordou que em fevereiro de 2019, foram contratados 20 bolseiros doutorados. “No total, em 2018 e em 2019, ao abrigo da norma transitória foram contratados 41 investigadores. Ao longo do ano foram abertos outros concursos ao abrigo de outras linhas do emprego científico. Tudo somado, temos hoje mais de 80 Investigadores contratados, valor que continuará a aumentar em 2020.”

Também em 2019 foi iniciada a regularização dos trabalhadores precários. “Infelizmente, a um ritmo mais lento do que o desejado. Até à data temos aprovados 27 concursos. Há um ano manifestei a intenção de concluir a regularização em 2019. Tal não foi possível. Não se tratou de má vontade”. O PREVPAP resulta de uma alteração legislativa. Segundo o reitor, “tem um forte impacto financeiro, que o governo continua a não reconhecer”, mas, “não obstante considerarmos que não temos capacidade para acomodar o seu impacto, decidimos orçamentar para 2020, o que não aconteceu em 2019.”

Vítor Neto (discurso aqui), presidente do Conselho Geral da UAlg aproveitou a oportunidade para salientar que pôde testemunhar, como presidente do Conselho Geral, “o enorme trabalho que tem sido realizado e sobretudo os progressos alcançados, apesar das condicionantes estruturais e dos constrangimentos financeiros e legais.”

Em representação dos funcionários não docentes, Cândida Barroso (discurso aqui), consciente de que o mandato do atual reitor não tem sido fácil, acredita que o responsável máximo da Academia “é capaz de cuidar da maior riqueza da Universidade do Algarve - as pessoas”. Tal como referiu “poderemos sempre fazer melhor, chegando mais longe, com menor esforço”.

No seu último discurso (aqui) enquanto presidente da Associação Académica, Pedro Ornelas relembrou “todos aqueles que lutaram para que esta casa fosse uma realidade”. Todos os reitores, “os deputados eleitos pelo círculo de Faro à época, que conseguiram uma rara unanimidade na Assembleia da Republica, numa altura em que o próprio governo era contra a criação da Universidade Algarve”.

Em representação dos docentes, Eduardo Esteves (discurso aqui), explicou que propositadamente não aproveitou esta oportunidade para reivindicar. “Não querendo isso dizer que não haja reivindicações a fazer, mas melhorar ou atualizar as condições materiais, sejam salas de aula ou laboratórios, ou equipamentos, ou serviços, obviamente ajudará a tornar a experiência da comunidade académica mais proveitosa, mas cabe-me, cabe-nos a nós docentes, e claramente também aos alunos, contribuir positivamente para essa experiência em termos de aprendizagem, de relações e de expectativas para que, depois destes 40 anos, os alunos atuais e futuros declarem a UAlg como a sua Alma Mater.”

Primeira edição do Prémio Manuel Gomes Guerreiro distingue académico brasileiro

Um dos pontos altos da cerimónia foi a entrega do Prémio Manuel Gomes Guerreiro, que contou com o apoio financeiro dos Municípios de Faro e Loulé, atribuído a Paulo Henrique Faria Nunes (discurso aqui), académico brasileiro, pela obra “A Institucionalização da Pan-Amazônia”. Para o premiado, escrever sobre estas questões numa perspetiva transdisciplinar é um desafio. “Além da complexidade do assunto, a maior parte da população brasileira vive muito distante da Amazónia. Apesar dos esforços de académicos e cientistas, pouco se conhece sobre esse ecossistema tão importante.” O Prémio Manuel Gomes Guerreiro, “além da realização pessoal do seu ganhador, é um grande incentivo à comunidade científica brasileira, em especial àqueles que se dedicam às questões ambientais e à Amazónia”, refere o autor.

​​​​​​​Em representação do Júri, a escritora Lídia Jorge afirmou no seu discurso (aqui) que “este livro vem trazer-nos uma notável descrição miúda, detalhada e fina, de natureza histórica, por vezes antropológica, natural, económica, política, e do âmbito das relações internacionais e do direito, que demonstram como se foi tecendo a complexidade de vários níveis, que caracteriza a região da Hileia Amazónica”. Para a Doutora Honoris Causa pela UAlg, “existe neste livro um saber analítico paciente, próprio de um intelectual sério, um estudioso em profundidade que se entrega a ​​​​​​​uma causa”. Neste livro, refere ainda a representante do júri, “a análise, sempre cientificamente sustentada, não fica pela discriminação dos factos, eleva-se a um patamar interpretativo, a que o Professor Paulo Henrique Faria Nunes acrescenta uma opinião pessoal e uma proposta de ação explícita – A necessidade absoluta e imperiosa da instauração, na prática e no concreto, de instrumentos jurídicos institucionais, que contribuam para uma articulação eficaz entre os oito estados, tendo em vista o desenvolvimento das populações, de uma das regiões onde a vida humana é mais precária, e pobre, mantendo ao mesmo tempo o equilíbrio dos vários ecossistemas cruzados.”

Durante a cerimónia foram ainda entregues as medalhas da Universidade aos funcionários que completam 25 anos de serviço, os diplomas aos novos doutores e, com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, foi também atribuído o “Prémio Universidade do Algarve” aos diplomados com mérito no ano letivo de 2017/2018.

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